6 copos

6copos

Resolvi ler HISTÓRIA DO MUNDO EM 6 COPOS (Tom Standage). Está muito interessante.  Ótimo resumo escrito por Jerônimo Teixeira, no site da Veja em 2005:

 Nas primeiras linhas de História do Mundo em 6 Copos (tradução de Antônio Braga; Jorge Zahar; 240 páginas;), o leitor é informado de que um ser humano pode sobreviver semanas sem comer, mas duraria apenas uns poucos dias sem líquidos. Esse fato fisiológico simples serve como um lembrete dramático da importância do tema do livro – as bebidas e sua influência na história. O jornalista inglês Tom Standage, editor de tecnologia da revista The Economist,demonstra que a bebida é uma necessidade vital não apenas para o indivíduo, mas também para as civilizações. De acordo com sua argumentação, os seis copos anunciados no título – cerveja, vinho, destilados, café, chá e Coca-Cola – serviram de esteio econômico para impérios e ajudaram a moldar a cultura de sucessivas eras.

Sem a invenção dessas beberagens maravilhosas, o ser humano dificilmente teria deixado a vida de nômade para se fixar em aldeias, vilas, cidades. Aglomerações humanas tendem a contaminar as fontes de água pura. A cerveja foi um dos primeiros meios de contornar esse problema: o álcool produzido pela fermentação do cereal garantia que o líquido seria razoavelmente salubre. A bebida era, além disso, uma fonte alternativa de calorias que não corria o risco de ser devorada por insetos ou bichos. Sumérios e egípcios estão entre os povos antigos que adotaram a cerveja como sua bebida preferencial. Um provérbio do Egito antigo rezava que, se um homem está contente, sua boca só pode estar cheia de cerveja. Os gregos preferiram o vinho e fizeram dessa bebida uma forma de distinção cultural. Seus banquetes tinham regras estritas para a diluição da bebida – tomar vinho puro era prática dos povos “bárbaros”. O Império Romano herdou esse gosto pelo vinho, acrescentando um toque mais elitista a seu consumo: nas festas romanas, vinhos de diferentes qualidades eram servidos de acordo com a posição social de cada convidado.

A julgar pelo largo hiato cronológico no livro de Standage, a Idade Média foi um período de gargantas secas. É verdade que os árabes então se dedicaram a aprimorar métodos de destilação – mas foi só com a expansão colonial do século XVI que o conhaque, o uísque e principalmente o rum entraram na corrente sanguínea do comércio mundial. Fáceis de conservar, os destilados se prestavam para as grandes travessias marítimas. O rum chegou a ser usado como moeda para comprar os escravos africanos que, no Novo Mundo, plantariam cana para a produção de açúcar – e de mais rum.

Depois dessa vasta era alcoólica, 6 Copos conduz o leitor aos tempos racionalistas da cafeína, estimulante que se encontra no café, no chá e na Coca-Cola. Assim como os destilados, o café é uma herança árabe adotada com entusiasmo pela Europa. Prestava-se à socialização e à troca de idéias: a partir do século XVII, os cafés de Londres e Paris criaram um ambiente democrático para as discussões de filósofos, cientistas e homens de negócios. Originário da China, o chá invadiria a Inglaterra no século seguinte para se tornar a bebida-símbolo do imperialismo britânico. A Coca-Cola herdou essa aura imperial: inventada por um farmacêutico charlatão de Atlanta, sul dos Estados Unidos, no fim do século XIX, acabaria se convertendo num estandarte do poderio econômico americano. É também a marca mais conhecida do planeta – ou seja, a mais globalizada das bebidas. A globalização, porém, não trouxe a uniformização pasteurizada que seus críticos mais apocalípticos temiam. O vinho, o chá e outras bebidas que conferiram identidade a impérios hoje extintos ainda freqüentam as mesas de todo o mundo. Nunca antes na história os copos foram tão ecléticos – e democráticos.

1. VINHOA bebida da elite
Bebida preferida dos gregos e romanos da Antiguidade, o vinho sempre implicou distinções de classe. Em Roma, até os pobres bebiam vinho – mas as melhores vinhas e as safras envelhecidas eram privilégio dos patronos ricos 
2. CHÁ

A bebida do imperialismo
No século XVIII, o comércio do chá foi um dos fundamentos econômicos do Império Britânico. Mas não só por isso o chá se tornou a bebida nacional inglesa: seus rituais de preparação condiziam com a auto-imagem da Grã-Bretanha como a mais civilizada das potências 

3. CERVEJA

A bebida da civilização
Feita com grãos de cereais fermentados, a cerveja era uma bebida de elaboração simples e conservação relativamente fácil. Popularizou-se entre as primeiras civilizações da Mesopotâmia e do Egito – o que faz dela a primeira bebida da história a ter importância econômica e cultural

4. COCA-COLA

A bebida da globalização
Inventada por um farmacêutico de Atlanta, Geórgia, no fim do século XIX, a Coca-Cola se transformou em símbolo do poder econômico americano. Mas, como a marca mais conhecida do mundo, também é uma espécie de patrimônio internacional – o refrigerante que tantos dizem odiar e que todos bebem 

5. DESTILADOS

A bebida da colonização
Graças a seu alto teor alcoólico, destilados como conhaque, uísque e rum resistiam bem às demoradas viagens marítimas do século XVI. Chegaram até a ser usados como moeda de troca no comércio dos escravos que iam trabalhar nas colônias do Novo Mundo

Estou na parte dos destilados. É muito interessante saber como as bebidas foram criadas, de onde vem a expressão “grogue” (era uma bebida feita nos navios, e eu arriscaria dizer que é a percursora da caipirinha), como os vinhos e outras bebidas eram utilizadas com fins medicinais… enfim, muito legal o livro, estou adorando. E pensando seriamente em dar de presente para uma pessoa que eu conheço que adora bebidas. =)

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